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Me senti um descarte num momento importante da vida

Anônima
17 de abr. de 2021
2 min de leitura

Eu queria um parto normal, mas meu bebê estava sentado. Quando eu entre na 37ª semana de gravidez, senti uma dor muito forte, uma cólica horrível e na mesma hora achei que poderia ser o bebê virando. De qualquer forma, fui para o hospital pra ficar mais tranquila. Quando cheguei o médico me examinou e disse que o útero estava afinando e que logo eu entraria em trabalho de parto, mas que era minha a decisão, eu podia ir pra casa e esperar lá ou ficar de uma vez no hospital. Comentei do meu desejo de parto normal e ele disse que tinha que ser cesária, já que eu tinha informado que meu bebê estava sentado. Lembro de até perguntar se ele não tinha virado e ele me afirmou que não. Decidi por ficar no hospital e esperar por lá e a dor foi melhorando, mas quando voltei para avaliação médica fui informada (pelo mesmo médico) que o útero estava mais fino. Minha vontade era ir embora, no fundo eu achava que o parto não ia acontecer naquele momento, mas não iria arriscar. Ele sugeriu que eu já fizesse a cesária e me internou. Fiquei 4 horas na dúvida do que fazer até que me chamaram para a anestesia, estava com medo de arriscar e seguir minha vontade. Após a anestesia, fiquei deitada na maca com falta de ar e comentei com o anestesista que estava me acompanhando. A primeira vez ele me ignorou - estava no celular -, a segunda vez ele largou o celular de lado e me puxou pelo braço e pelas costas para me virar de lado, sem me falar nada e suspirando (como se estivesse de saco cheio). Continuei com falta de ar, falei mais uma vez e ele mandou a enfermeira falar comigo. Essa sim, uma anja. Me deu a mão e respirou comigo. Eu fiquei muito constrangida, mas o pior foi quando o parto ia começar e eles não chamaram meu marido, mesmo eu pedindo muito. Demoraram pra trazer ele e eu não queria começar o parto sem ele perto. Quando meu bebê estava nascendo, a médica o tirou pelo pescoço - e a primeira coisa que eu pensei quando vi o vídeo foi: como pode ter saído primeiro a cabeça se o neném estava sentado? Nunca tive coragem de perguntar a ninguém se isso era possível, porque não quis acreditar que o médico que me avaliou estivesse errado ou, talvez, até tivesse sido negligente. Mas, hoje, o que eu sinto é estava sendo convencida a fazer um procedimento que poderia ter sido evitado ou ter sido diferente e que, talvez, eu pudesse ter tido meu parto normal. Como foi emergência, não consegui que meu médico fosse me acompanhar, então fui atendida por plantonistas. Eu sinto que fui negligenciada em meus direitos de informação, escolha e cuidados - pelo médico que me avaliou, pela médica que me operou - que ficou falando de Grey´s Anatomy durante o parto -, e pelo anestesista.

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