Não posso me calar mais...
É verdade, ou meia verdade... ELE NUNCA ME BATEU!!!!! Mas nem por isso fez menos estrago, nem por isso foi menos difícil... Eu NÃO tenho raiva, nem odeio, afinal é o pai dos meus filhos e filha, passei mais da metade da minha vida com ele... Passamos nossa juventude e parte da vida adulta juntos. Talvez seja um choque para alguns lerem estes relatos, principalmente para nossos conhecidos, conhecidas, familiares, tenho certeza das criticas e ataques que possa vir a receber, vão dizer que eu não devia me expor, expor meus filhos, filha, que eu não precisava expor ele... Mas eu necessito falar, escrever sobre isso... Não posso me calar mais... Tenho certeza que outras mulheres vão se identificar, assim como eu me identifiquei com os vários casos que eu vi, li, percebi.... Hoje vejo que os sinais eram claros desde o início, mas eu nunca quis ver, a cada discussão, a cada "briguinha", há como eu chorava, chorava litros... e naquela época eu era a ciumenta, ele disfarçava e dissimulava o ciúmes que sentia, virava o jogo, e eu sentia medo de perder, e durante muito tempo eu sofri calada, nunca falei pra ele do que eu sentia, achava que como a gente não tinha um "compromisso" eu não podia sentir, falar... Enfim foram quase dois anos assim, engravidei, fomos morar juntos, comecei a falar e mostrar minha insegurança, meu ciúme, me dói só de lembrar... E assim fomos vivendo, brigávamos, discutíamos, eu nutria uma insegurança e uma dependência emocional absurda, enlouquecia só de pensar na possibilidade dele me deixar... e um dia isso aconteceu, ele foi embora, me deixou, e eu sofri, chorei, me arrastei, busquei minha humilhação, e ele voltou. ( a dor que eu sentia chegava a ser física). Meu Deus, agora escrevendo, me vem a minha cabeça, tudo o que aconteceu, chego a ver as cenas, sentir a angustia que eu sentia, e fico pensando em como deixei tudo isso acontecer, não consigo achar explicação lógica, ou consigo, era uma menina, 19, 20 anos, não sabia nada da vida, acho que não sabia nada de nada. Lembro nitidamente das discussões, das palavras usadas, lembro do dia que ele disse que eu devia sumir, chorei tanto, ele saiu, voltou, pediu desculpas, eu desculpei e seguimos. Naquela época eu era um tanto explosiva, ciumenta e até descontrolada, eu confesso!!!, me recordo, de uma noite que fomos jantar na casa de uns amigos, chegamos lá, estávamos em entre 3 casais, e mais um amigo com sua ficante e uma amiga dela, eles "instintivamente", colocaram as três casadas dentro da casa, como já tínhamos um vinculo de amizade, as bobas ficaram lá dentro, enquanto eles, com as outras duas mulheres, ficaram do lado de fora bebendo, conversando e rindo muito, ( não entendo como aceitamos a situação), bom, jantamos, e fomos para casa, aí o bicho pegou, eu tive uma crise ciúmes, enlouqueci, e neste momento veio o primeiro empurrão, consigo ver a cena, nosso filho (único, na época), dormindo no quarto, e nós discutíamos na copa, eu chorava, gritava, e perguntava, foi aí que ele me empurrou, caí em cima da poltrona, que atravessou a copa, resvalando pelo piso de cerâmica, bateu na parede oposta, quebrou uma pata da poltrona... Fiquei assustada, só chorava, acho que adormeci ali, só lembro de acordar na minha cama no outro dia. Nessa época, morávamos juntos, mas ainda não tínhamos casado, sim!!!! depois disso nós casamos, na igreja, no cartório, tudo certinho, mas isso era só o inicio... Vieram outros empurrões, xingamentos, discussões absurdas, sofrimento, humilhação, me sentia verdadeiramente incapaz de fazer qualquer coisa, consegui emprego, em um supermercado da cidade, ele começou a colocar empecilhos, e eu desisti. Engravidei, do nosso segundo filho, um susto e uma alegria, resolvemos entregar a casa, vendemos os móveis, para tentar a vida em **************, ele pegou uma carona, o dinheiro que juntamos e foi rumo a ********, eu fiquei na minha mãe, grávida e com um filho de 2 anos e 7 meses, levei da melhor maneira possível, apesar da saudade estava bem, mas ele não, acho que ficou uns 20 dias lá, o dinheiro acabou a depressão bateu e ele voltou, nosso filho nasceu.

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